segunda-feira, 8 de agosto de 2016

O TAPETE ALVO NEGRO

A noite ainda estava longe do fim, diferente de seu fôlego que já o abandonara metros atrás. Correndo por entre telhados, ruas, árvores e estradas de terra, o aprendiz de ninja - agora órfão - tentava se distanciar o máximo possível. Queria fugir dos inimigos, das lembranças de seus erros, do vermelho sangue no rosto de seu mestre, e do vermelho da armadura escarlate do Comandante Heatcliff.

O dia anterior fora todo focado na análise da planta, nas informações do aventureiro informante que participará do conluio para que o Pergaminho do Dragão pudesse ser roubado.

De nada adiantaram os esforços, ele ainda era um aprendiz. Não possuía as habilidade para passar com segurança por locais escuros, becos e telhados pontiagudos. Fora acompanhar o mestre apenas porque os esconderijos não eram mais seguros, e os demais membros do clã estavam em missão.

O informante garantiu que o Cardeal anteciparia em um dia sua chegada. Ninguém sabia da mudança por motivos de segurança, e a guarda de Heathcliff estaria distante em uma jornada de reconhecimento. A chance seria perfeita, o pergaminho seria retirado do cofre, o Cardeal teria que analisar o documento e, em posse dele, se reunir com o Rei. Bastava subtrair o item e obter os segredos do inimigos mais odiados pelos Ninjas - A Família Dragão.

Estavam errados! O informante falhou em algum ponto, ou foram simplesmente traídos e enganados, mais uma vez?

Não havia tempo para isso, precisa continuar seguindo para o esconderijo. De certo seus aliados estariam voltando. Demoraria mais para encontrá-los, pois a regra de fuga - em caso de falha - exige que o caminho mais longo seja feito para despistar inimigos.

Não estava devidamente treinado. Faltava-lhe preparo físico e mental. O caminho mais longo parecia ter dobrado de tamanho, e seus pulmões já não funcionavam com a mesma perfeição de minutos atrás.

Decidiu para e recuperar o fôlego. Lembrou-se da manopla entregue por seu mestre: a arma secreta usada para injetar sonífero nos adversários que o livrou da morte por duas vezes instantes antes da maratona que estava percorrendo.

Arma ineficiente contra o escudo do comandante, menos ainda se posta diante de sua pesada e fechada armadura vermelha. Seu mestre estava velho, cansado, desprotegido e ainda tinha um aprendiz trabalhoso para defender.

Sim! Seu mestre não estava morto apenas por se deparar com um dos mais temidos cavaleiros que já existiu, mas também por ter que preocupar com ele - Looz - além da própria segurança.

Encontrou na arma um pequeno pergaminho. Eram os ensinamento da Família Tigre. Continha várias informações sobre os métodos, as armas, as artes marciais, os segredos, a história e a honra. Deveria proteger com a vida essa relíquia, pois a lenda diz que os 12 pergaminhos unidos revelam vestígios do Poder Antigo.

Vestiu a manopla com cuidado, ainda havia veneno o bastante para matar 10 homens, e era incrivelmente fácil se golpear com ela executando um movimento errado. Guardou consigo o documento e procurei reaver o que ainda o ar que seus pulmões se recusavam a manter no peito.

Ouviu ruídos...

Quando deu por si estavam em um cruzamento de ruas. Esquecera-se da regra básica de "nunca deixar as costas abertas" e agora sabia, pelo pouco que ouviu, que estava cercado. Não podia dizer quanto, mas de certo sabia por quem: A Calda do Dragão o havia alcançado.

Um combate estava próximo! Ele não poderia fugir novamente. Só possuía mais 3 kunais em sua cintura e o veneno para fazer dormir um bando de 10 homens, ou matar 5...

"E a calda forte do Dragão de Fogo irá rebater os inimigos tal qual estrelas de uma noite iluminada. E eis que os olhos adversários só o verão o negro da noite, cobertos, pois, pelo manto da morte." - Tiamat Daddragon!